segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Malditas Fronteiras - João Batista Melo

Malditas Fronteiras. Romance de João Batista Melo Prêmio Nacional Cidade de Belo Horizonte

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


769 (22-12-2015) – Malditas Fronteiras – João Batista Melo

            O livro aborda várias fronteiras, isto é, separações: jovens e idosos, marido e esposa, vida e morte, brancos e negros, judeus e os outros; mas destaca as que isolam os brasileiros e os alemães vivendo no Brasil antes e depois da Segunda Guerra.  No início, Erika e seu filho Hans chegam às costas brasileiras no navio Buena Esperanza fugindo de uma Alemanha nazista que assassinara seu marido judeu após destruir sua loja de livros.   O navio só consegue ancorar após separar os judeus, que não poderiam desembarcar, dos outros passageiros que finalmente seriam admitidos.  Erika decide não ir para o sul, mas para Belo Horizonte.  Erika deixou a estação e caminhou pelas ruas desconhecidas da cidade, carregando o filho num braço e arrastando uma mala pelo outro, até encontrar um menino, Valentino, e uma garota loura, Sophie que lhe informam o endereço do velho cervejeiro Konrad Petersen.  Ele era avô de Sophie, uma menina linda, loura e cega.  Erika, mais tarde, se casa com o pai de Sophie, filho de Konrad, Hermann, viúvo desde o nascimento da garota.  Também, mais tarde, com os afundamentos dos navios brasileiros pelos submarinos alemães e com a agitação promovida por grupos de alemães pró-nazistas em algumas cidades brasileiras, a cervejaria de Konrad é destruída por brasileiros revoltados, inúmeras outras lojas de alemães são saqueadas, os alemães são aprisionados, alguns em campos de concentração, como o instalado no que é hoje conhecido como o presídio de Neves.  Hermann ficou preso em Neves e saiu de lá tuberculoso e poucos meses depois morreu. Erika, seu filho Hans e Sophie foram para Santa Catarina; Konrad retornou à Alemanha e juntou-se ao irmão para lutar na resistência contra os nazistas.  Sabe-se ao final do livro que ele morreu no campo de concentração de Buchenwald, que como o de Dachau, não foi criado para receber judeus, o que só ocorreu mais tarde.  Por isso, nessa época aprisionava os oponentes políticos do governo nazista.   Valentino encontrou Sophie, nos primeiros anos do século XXI, como pianista de uma famosa orquestra alemã, por acaso, ao ler o livreto de um concerto que fora assistir.  Depois desse concerto foram a Füssen e de lá a Ettal visitar o convento por onde passara Konrad para entregar o livro antigo roubado pelo irmão de Herman, Ferdinand.  De lá retornaram ao Brasil para nunca mais se separarem.

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