terça-feira, 29 de março de 2016

Os Idos de Maio - Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

629 (10-03-2009) Os Idos de Maio – Benito Barreto

                Esse é o primeiro livro da tetralogia: Saga do Caminho Novo.  São romances históricos em que a ficção, no estilo envolvente de Benito Barreto, preenche as lacunas da história da Inconfidência Mineira.   Os fatos históricos são narrados fielmente a partir de longa e extensa pesquisa.  Nesse primeiro volume tem-se a história completa da Inconfidência Mineira narrada de forma concisa, sem muitos dos eventos espetaculares extraídos da história, das estórias e das lendas apresentados nos outros volumes.  Os Idos de Maio descreve principalmente a prisão dos inconfidentes em maio de 1789 e a vida de cada um deles.  Benito Barreto inicia-se por Tiradentes que recorda sua juventude de dentro de um calabouço na prisão da Ilha das Cobras.  Ele se lembra do escravo Isidoro que ganhou aos 15 anos, quando se iniciava na vida de tropeiro, em recompensa por salvar um desconhecido, mas futuro amigo, de uma emboscada. Isidoro era tão jovem quanto ele. Numa noite enluarada e quente de verão, após longa jornada pelas trilhas dos burros nas montanhas de Minas, Tiradentes acorda, levanta-se do couro de boi estendido no chão do pouso e contempla a paisagem, escuta os ruídos e paira os olhos no escravo que deixava à mostra, pela camisa entreaberta, um seio exuberante: não era Isidoro, mas Isidora.  Voltou a deitar-se ao lado dela e naquela mesma noite inicia-se nas artes do amor. A estória de Cláudio Manoel da Costa, poeta, advogado e fazendeiro que guardava na sua fazenda, nas proximidades de Mariana, o ouro dos inconfidentes é trágica.  Esse ouro, doado pelos mineradores para a causa da inconfidência, era parte do quinto sonegado ao governo português, e era guardada para sustentar o novo governo após a independência.  Preso e torturado, Cláudio Manoel da Costa confessa ao policial que o prendera onde estava oculto esse tesouro.  Esse policial vai sozinho à fazenda, prende a família da filha do inconfidente que morava lá com o marido e os filhos e obriga o escravo da família a revelar onde o ouro estava depositado ante a ameaça de incendiar a casa.  O que ele faz, após se apropriar de toda a fortuna e de assassinar o escravo.  Ao narrar a prisão de Tomás Antônio Gonzaga, o autor revela seu romance com Maria Dorotéia, a Marília de seus versos.  Alvarenga Peixoto é preso em sua casa em São João del Rei, às vistas de sua filha e de sua bela esposa Bárbara Heliodora.  O julgamento e o exílio dos inconfidentes que sobreviveram à prisão e o enforcamento de Tiradentes são narrados suscintamente nesse primeiro livro.  No último livro da tetralogia, “Despojos: a festa da morte na corte”, aparecem os detalhes das punições dos inconfidentes.  Esses dois livros, o primeiro e o quarto, são imperdíveis e podem ser lidos independentemente dos outros.

2 comentários:

  1. Fascinante. Me pergunto se a nova novela da Globo "liberdade, liberdade!", que trata da inconfidência mineira, não irá se basear, pelo menos em parte, das obras de Benito.

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    1. Seria muito bom se consultassem a obra de Benito Barreto.

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