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(10-03-2009) Os Idos de Maio – Benito
Barreto
Esse
é o primeiro livro da tetralogia: Saga do Caminho Novo. São romances históricos em que a ficção, no
estilo envolvente de Benito Barreto, preenche as lacunas da história da
Inconfidência Mineira. Os fatos
históricos são narrados fielmente a partir de longa e extensa pesquisa. Nesse primeiro volume tem-se a história
completa da Inconfidência Mineira narrada de forma concisa, sem muitos dos eventos
espetaculares extraídos da história, das estórias e das lendas apresentados nos
outros volumes. Os Idos de Maio descreve
principalmente a prisão dos inconfidentes em maio de 1789 e a vida de cada um
deles. Benito Barreto inicia-se por
Tiradentes que recorda sua juventude de dentro de um calabouço na prisão da
Ilha das Cobras. Ele se lembra do
escravo Isidoro que ganhou aos 15 anos, quando se iniciava na vida de tropeiro,
em recompensa por salvar um desconhecido, mas futuro amigo, de uma emboscada. Isidoro
era tão jovem quanto ele. Numa noite enluarada e quente de verão, após longa jornada
pelas trilhas dos burros nas montanhas de Minas, Tiradentes acorda, levanta-se
do couro de boi estendido no chão do pouso e contempla a paisagem, escuta os
ruídos e paira os olhos no escravo que deixava à mostra, pela camisa
entreaberta, um seio exuberante: não era Isidoro, mas Isidora. Voltou a deitar-se ao lado dela e naquela mesma
noite inicia-se nas artes do amor. A estória de Cláudio Manoel da Costa, poeta,
advogado e fazendeiro que guardava na sua fazenda, nas proximidades de Mariana,
o ouro dos inconfidentes é trágica. Esse
ouro, doado pelos mineradores para a causa da inconfidência, era parte do
quinto sonegado ao governo português, e era guardada para sustentar o novo
governo após a independência. Preso e
torturado, Cláudio Manoel da Costa confessa ao policial que o prendera onde
estava oculto esse tesouro. Esse
policial vai sozinho à fazenda, prende a família da filha do inconfidente que
morava lá com o marido e os filhos e obriga o escravo da família a revelar onde
o ouro estava depositado ante a ameaça de incendiar a casa. O que ele faz, após se apropriar de toda a
fortuna e de assassinar o escravo. Ao
narrar a prisão de Tomás Antônio Gonzaga, o autor revela seu romance com Maria
Dorotéia, a Marília de seus versos.
Alvarenga Peixoto é preso em sua casa em São João del Rei, às vistas de
sua filha e de sua bela esposa Bárbara Heliodora. O julgamento e o exílio dos inconfidentes que
sobreviveram à prisão e o enforcamento de Tiradentes são narrados suscintamente
nesse primeiro livro. No último livro da
tetralogia, “Despojos: a festa da morte na corte”, aparecem os detalhes das
punições dos inconfidentes. Esses dois
livros, o primeiro e o quarto, são imperdíveis e podem ser lidos
independentemente dos outros.
Fascinante. Me pergunto se a nova novela da Globo "liberdade, liberdade!", que trata da inconfidência mineira, não irá se basear, pelo menos em parte, das obras de Benito.
ResponderExcluirSeria muito bom se consultassem a obra de Benito Barreto.
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