824 (15-06-2019) – Até breve, mamãe – Anchieta Rocha
A primeira versão resumida e menos elaborada desse livro intitulava-se
“Meus Amores”. Eu o li em 2009. Nessa
versão, recém-publicada, muito bem impressa, com capa bonita e ampliada com
cartas do estudante da UFV para a mãe, a irmã, um amigo e para a tia; e deles
para o rapaz, lutando para sobreviver em Viçosa, o autor traça a vivência de
uma família pobre, abandonada pelo pai, residindo em Serra Morena, dois dias de
viagem distante, e do aluno pobre na UFV. As histórias são contadas pelas
cartas. O estudante reside no alojamento, antigamente disponível para os
pós-graduandos, é motoboy de uma lanchonete à noite. Nas cartas ele conta a história de uma
cliente da lanchonete de quem só conhece as lindas mãos que recebem o pedido.
Ela se escondia atrás de uma abertura do tipo alçapão que só se abria por
dentro, ao lado da porta. Teria sido uma atriz famosa desfigurada por um
acidente. Conta o caso do pai de um
colega da universidade que, um dia, passa por ele dirigindo seu carro coberto
de flores por ter sido guardado debaixo de um flamboyant florido. Poucas horas depois o amigo lhe solicita ir
ao local do acidente com o pai. Lá estava o carro numa larga valeta a alguns
metros abaixo da estrada com as rodas no chão, coberto de flores, como um
túmulo. As cartas revelam que Selminha,
sua irmã, se engravida e torna-se mãe solteira, a mãe adoece sem que ele possa visitá-la,
o amigo é preso por tráfico de droga.
Chega o dia de sua formatura, participa apenas da colação de grau, e
sente a futura perda dos amigos e colegas da universidade e da lanchonete.

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