823 (10-06-2019) – A
Transparência do Tempo – Leonardo Padura
Leonardo Padura é um autor cubano nascido em 1955. Sua obra prima é “O Homem que Amava os
Cachorros”, um romance realmente espetacular. Ele ficou conhecido pelos romances
policiais. “A Transparência do Tempo” é um romance policial histórico publicado
em 2018. O amigo Bobby contrata o
ex-policial, atualmente detetive particular, Mario Conde para encontrar uma
imagem de Nossa Senhora negra carregando um menino Jesus também negro furtada
de sua casa de marchand rico. O enredo do livro se desenvolve em torno da imagem
que teria sido levada da África para a Catalunha no Século XIII pelos cruzados
ou pelos cavaleiros templários. Num
vilarejo da Catalunha a imagem opera milagres, mas as guerras entre senhores
feudais destroem o povoado e a imagem é resguardada pelos cavaleiros templários
e aparece na cidade de São João de Acre, ou apenas Acre, onde os cruzados, remanescentes
de derrotas sofridas em Jerusalém, são exterminados pelos muçulmanos convocados
pelo sultão Khalil al-Ashraf em 18 de maio de 1291. A imagem protegida pelo templário Antoni
Barral chega ao mar e o ajuda a flutuar até o navio do grão-capitão Roger de
Flor e retorna a Espanha. Séculos depois
a imagem chega a Cuba e é apropriada por Bobby, amigo de Conde desde o
pré-universitário, hoje um rico marchand. Aí entra a parte policial e o detetive
Mario Conde. Esses capítulos são pouco
agradáveis, mas são interessantes porque os personagens percorrem as favelas de
Havana e os quase palácios de uns poucos ricaços. É impressionante pelos diálogos e comentários
criticando o desastre social e econômico de Cuba sob o governo comunista. A impressão que se tem é que o autor residiria
fora de Cuba, mas não, como se pode observar no trecho da entrevista a Emiliano
Urbim do jornal O Globo apresentado abaixo:
Em
seus livros, artigos e entrevistas, Padura não omite as contradições do regime
de Raúl Castro; em troca, o governo faz o que pode para atrapalhá-lo — o que,
no caso de Cuba, é bastante. As editoras (todas estatais) evitam reimprimir
suas obras; as universidades (todas públicas) o ignoram; a imprensa (100%
oficial) não o procura.
— Em Cuba, sou invisível — resume.

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