segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Violeta – Isabel Allende

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


861 (20-09-2022) – Violeta – Isabel Allende

            Violeta nasceu em 1920 num dia tormentoso com relâmpagos, trovões, tempestade e falta de eletricidade. Nesse ano a gripe espanhola invadiu o Chile dizimando parte de sua população. O pai de Violeta, prevenido, antes que a doença chegasse a Santiago, estocou a casa grande e acolhedora, circundada de jardins e pomares, localizada em área pouco habitada ao sul da capital, com alimentos, tecidos, material escolar e tudo o necessário para a família se manter isolada por muito tempo. E assim ninguém se contaminou. Os homens, irmãos de Violeta, menos José Antônio que ajudava o pai na contabilidade de seus negócios lícitos e ilícitos, foram enviados para a fazenda da família na Patagônia.  A gripe passou, a família de Violeta prosperou até que a bolsa de Nova York se implodiu em 1929 e destruiu a fortuna do clã Del Valle. Transformaram-se em pobres devedores e se abrigaram na casa emprestada de amigos no sul do Chile, na vila de Nahuel, mas longe dos credores. A esse período, Violeta e os parentes chamaram de desterro.

            Violeta casa-se com Fabian, mas logo depois o abandona por um aviador de aeronaves fluviais, Julián, que entre voos regulares fazia viagens anormais, principalmente ao fim da segunda guerra, transportando nazistas, e drogas quando a máfia e os cartéis ganharam poder nos mundos dos negócios e da política. Mas esse homem a fazia sorrir e lhe tocava todos os milímetros e notas de seu desejo sexual.  Teve dois filhos com ele e viveram felizes nos intervalos entre uma viagem e outra até que recebeu os primeiros tapas e soube de suas amantes.  Sofreu por seu filho Juan Martín perseguido pelos militares, do qual ficou sem notícias por longo tempo, pelo desaparecimento de Torito, que protegia seu filho na fuga, e pela morte de sua filha, após dar à luz ao seu neto Camilo.

            Violeta sai da humilhação de ver sua família perseguida pelos cobradores, ajudando José Antônio a criar uma empresa de construção de casas de madeira, cujo sucesso permitiu pagar as dívidas negociáveis. A violência amorosa com Julián acaba quando ela o expulsa de casa e com o distanciamento, mas ela participa dos movimentos para garantir os direitos da mulher e cria uma fundação para proteger as violentadas. Não tem notícias do filho desaparecido e nem de Torito, mas exige dos militares, em fins da ditadura, que os mortos sejam identificados.

            Em 2020, Violeta faz cem anos escondendo-se da nova epidemia no querido “desterro”, a vila de Nahuel, e escrevendo no computador, porque suas mãos não conseguem segurar a caneta, mensagens para o neto Camilo, padre, que ela espera ver unido a sua secretária, Mailén, na fundação, e para o filho Juan Martín residente na Noruega.  

            É um bom livro no ótimo estilo de Isabel Allende que repassa a história do Chile nos Séculos XX e XXI.

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