699 (17-11-2012) – Despojos: a festa da
morte na corte – Benito Barreto
Este é o último livro da tetralogia
“Saga do Caminho Novo”. A primeira parte
desse livro descreve “A Batalha do Breu” que ocorreu entre as tropas do Vice-rei
ou do Visconde de Barbacena e os garimpeiros, em torno de 300, chefiados pelo
Montanha, João Costa e Zé Basílio. Essa
batalha ocorreu ainda em 1789, após a prisão de Tiradentes e dos demais
inconfidentes, nas proximidades do Lago do Sumidouro, Passo da Cinza, e Cânion
do Travessão. Izidora morre nessa
batalha após um tiro de canhão destruir sua posição na encosta da garganta do
Travessão e fechá-la. Os garimpeiros se
dispersam e retornam aos garimpos e os soldados sem poder persegui-los retornam
de mão vazias aos quartéis em Vila Rica.
Enquanto isto o padre Rolim, escondido na casa de seu irmão, que estava
preso por seu parentesco com o padre inconfidente, passava os dias e as noites
apaixonado pela cunhada La Tosca. O
padre era esperado pelos garimpeiros para liderá-los e dar sentido a sua luta,
mas ele não apareceu, escondido como estava na cama da cunhada de quem não
queria se separar. Algum tempo depois
ele também foi preso e transladado do Tejuco para Vila-Rica. As outras partes do livro tratam do julgamento
dos inconfidentes e como todos eles se humilham e pedem perdão à rainha
louca. Tiradentes, muito diferente,
chama para si toda a culpa e tenta convencer os juízes de que os outros
acusados são inocentes. Apenas
Tiradentes é condenado à morte na forca e a ter seus membros decepados e
espalhados pelo Caminho Novo. Os outros
inconfidentes foram condenados ao degredo na África. Essas duas partes do livro são contadas pelo
padre Inácio, quem sob tortura, denunciou a casa onde Tiradentes estava hospedado
no Rio de Janeiro. O padre Inácio e o frei
Lourenço, fundador do Convento do Caraça, acompanharam a execução de Tiradentes
no dia 21 de abril de 1792, e a disposição de sua perna esquerda no alto da
Serra do Mar no lugar conhecido como Sítio das Cebolas. Frei Lourenço acompanha o cortejo até
Vila-Rica onde a cabeça de Tiradentes é exposta no pelourinho.
Benito Barreto recria magnificamente
toda a época, a vida nas cidades do Tejuco, Vila Rica e Rio de Janeiro, as
batalhas, os amores, as prisões, o processo judicial, e a execução de
Tiradentes. O texto nesses quatro livros
é construído na linguagem do século XVIII e se apresenta muito convincente.
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