terça-feira, 12 de abril de 2016

Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


699 (17-11-2012) – Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto
            Este é o último livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  A primeira parte desse livro descreve “A Batalha do Breu” que ocorreu entre as tropas do Vice-rei ou do Visconde de Barbacena e os garimpeiros, em torno de 300, chefiados pelo Montanha, João Costa e Zé Basílio.  Essa batalha ocorreu ainda em 1789, após a prisão de Tiradentes e dos demais inconfidentes, nas proximidades do Lago do Sumidouro, Passo da Cinza, e Cânion do Travessão.  Izidora morre nessa batalha após um tiro de canhão destruir sua posição na encosta da garganta do Travessão e fechá-la.   Os garimpeiros se dispersam e retornam aos garimpos e os soldados sem poder persegui-los retornam de mão vazias aos quartéis em Vila Rica.  Enquanto isto o padre Rolim, escondido na casa de seu irmão, que estava preso por seu parentesco com o padre inconfidente, passava os dias e as noites apaixonado pela cunhada La Tosca.  O padre era esperado pelos garimpeiros para liderá-los e dar sentido a sua luta, mas ele não apareceu, escondido como estava na cama da cunhada de quem não queria se separar.  Algum tempo depois ele também foi preso e transladado do Tejuco para Vila-Rica.   As outras partes do livro tratam do julgamento dos inconfidentes e como todos eles se humilham e pedem perdão à rainha louca.   Tiradentes, muito diferente, chama para si toda a culpa e tenta convencer os juízes de que os outros acusados são inocentes.  Apenas Tiradentes é condenado à morte na forca e a ter seus membros decepados e espalhados pelo Caminho Novo.  Os outros inconfidentes foram condenados ao degredo na África.  Essas duas partes do livro são contadas pelo padre Inácio, quem sob tortura, denunciou a casa onde Tiradentes estava hospedado no Rio de Janeiro.   O padre Inácio e o frei Lourenço, fundador do Convento do Caraça, acompanharam a execução de Tiradentes no dia 21 de abril de 1792, e a disposição de sua perna esquerda no alto da Serra do Mar no lugar conhecido como Sítio das Cebolas.   Frei Lourenço acompanha o cortejo até Vila-Rica onde a cabeça de Tiradentes é exposta no pelourinho.
            Benito Barreto recria magnificamente toda a época, a vida nas cidades do Tejuco, Vila Rica e Rio de Janeiro, as batalhas, os amores, as prisões, o processo judicial, e a execução de Tiradentes.  O texto nesses quatro livros é construído na linguagem do século XVIII e se apresenta muito convincente. 

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