671 (15-10-2011) – Toque de Silêncio em
Vila Rica – Benito Barreto
Este
é o terceiro livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”. Como os anteriores, muito bem feito com o
mapa da Estrada Real mostrando o Caminho Novo e o Caminho Velho por onde o ouro
e o diamante das Minas Gerais eram escoados para Portugal. As ilustrações de Januário são muito
apropriadas, muito bonitas e muito bem feitas.
O livro começa tendo por título do primeiro capítulo a fala do Montanha,
chefe de grande quadrilha que assolava os caminhos de Minas, preso por
Tiradentes quando esse era alferes do governo de Minas, mas libertado pelo
próprio Tiradentes sob promessa de
parar com os assaltos após essas frases: “...vencido estava e se rendia,
mas não se queria em meu lugar... eu prendia um ladrão pequeno, para deixar
livre o caminho para os ladrões do Rei passar”. Como no segundo livro, há muita reflexão
sobre a culpa e o medo da punição; a culpa e a motivação do governo para a
punição; o tamanho da culpa desproporcional à punição; a culpa dos
inconfidentes, o poder absoluto do Visconde de Barbacena, governador das Minas
Gerais, a corrupção da polícia, a tortura ,e a morte consentida por esganadura
seguida pelo enforcamento do grande poeta e inconfidente Cláudio Manoel da
Costa no vão de escada da casa do contratador Rodrigues de Macedo. O autor destaca nesse livro as viúvas,
porque assim se vestem, acusando o Visconde de Barbacena pela prisão e provável
morte dos maridos: Bárbara Heliodora, a ex Dorothéia e agora Marília de Dirceu
e Hipólita. Destaca o poeta Cláudio
Manoel da Costa sabedor de que o Visconde de Barbacena havia abraçado a causa
dos inconfidentes no início do movimento e poderia denunciá-lo aos agentes da
Devassa que estavam chegando a Vila Rica.
Sabia também que o Sargento Parada havia matado sua filha e a família
dela e os escravos para não ser denunciado pelo roubo na fazenda do poeta em
Mariana do ouro dos inconfidentes. Por
essas duas razões foi o poeta Cláudio Manoel da Costa assassinado antes que os
agentes da Devassa chegassem em Minas.
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